PEDINDO ESMOLA PARA
ENTERRAR O EX-PATRÃO
Chico levantou cedo e, ao sair para o
trabalho, encontrou no caminho o Flaviano, trazendo a notícia de que seu
ex-patrão, o Juca, morreu na miséria, Chico, sem ter nem o que comer e seria
enterrado pela prefeitura, sem caixão.
Chico pediu a Flaviano que fosse até a casa
onde ele desencarnou e pedisse que esperassem um pouco.
Chico recorda seu ex-patrão, figura humilde
de bom servidor, que tanto bem lhe fizera. E ali mesmo, no caminho, envia uma
prece a Jesus:
“Senhor, trata-se de meu ex-patrão, a quem
tanto devo; que me socorreu nos momentos mais angustiosos; que me deu emprego
com o qual socorri minha família; que tanto sofreu por minha causa. Que eu lhe
pague, em parte, a gratidão que lhe devo. Ajude-me, Senhor”.
E, tirando o chapéu da cabeça e virando-o de
copa para baixo, foi bater de porta em porta, pedindo uma esmola para comprar
um caixão para enterrar o amigo.
Logo todos em Pedro Leopoldo estava sabendo
do ato do Chico.
Seu pai soube e veio ao seu encontro,
tentando convencê-lo a desistir daquela ideia, mas Chico não desistiu.
Um pobre cego, muito conhecido em Pedro
Leopoldo, esbarrou com Chico e ao saber que Chico pedia esmolas para enterrar o
ex-patrão. Com os olhos cheio de lágrimas, comovido com a ação de Chico,
despejou no chapéu do Chico tudo o que havia arrecadado ate ali...
Chico comoveu-se mais, agradeceu e comprou
com o dinheiro esmolado o caixão.
Providenciou o enterro. Acompanhou-o até o
cemitério.
E já tarde, regressou à casa.
Tinha vivido um grande dia.
Sentou-se à entrada da porta.
Lá dentro, os irmãos e o pai, observavam-no
comovidos.
E
m prece muda, agradeceu a Jesus.
Emmanuel lhe aparece e lhe sorri. O sorriso
de seu bondoso Guia lhe diz tudo.
Chico o entende.
Ganhara o dia, pagara uma dívida e dera de
si um testemunho de humildade, de gratidão e de amor ao Divino Mestre.